Moradores de Itaperuna sempre foram contra presídio no município

Estado do Rio de Janeiro estuda criar nova unidade prisional na cidade

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O município de Itaperuna, no Noroeste Fluminense, poderá receber uma nova unidade prisional de segurança máxima. Em fase inicial de estudos feitos pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária, a nova unidade vai se basear no modelo de referência utilizado nas construções desse tipo de presídio, disponibilizado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Um ofício será encaminhado ao Governo Federal. No documento, a secretária de Estado de Administração Penitenciária, Maria Rosa Nebel, destaca que o Rio sofre com o aumento substancial dos índices de criminalidade e que a única unidade prisional de segurança máxima existente é a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, com 48 vagas, conhecida como Bangu I.

Em 2002 a população de Itaperuna foi contra o presídio e o Judiciário garantiu que seria somente uma “Casa de Custódia”

Em 2002 a população de Itaperuna foi convocada para uma audiência pública que foi realizada na Câmara de Vereadores. Na época, associações de moradores e clubes de serviços foram unânimes e contrários a criação de um presídio na maior cidade da região. E o Judiciário se comprometeu na oportunidade que, “seria apenas uma Casa de Custódia” para atender ao Noroeste Fluminense, pois as antigas delegacias não suportavam mais custodiar os detidos. A promessa foi que o local não seria um presídio, mas somente serviria para receber os presos, até o seu julgamento, porém no transcorrer dos anos seguintes criou-se um presídio onde abriga pessoas já condenadas em processos com trânsito em julgado.

A fala da sociedade itaperunense em 2023 é a mesma de 2002 e ecoa por toda a parte da cidade: “somos contra presídio de segurança máxima ou qualquer outro presídio”. O medo é de aumentar ainda mais o fluxo de pessoas ligadas ao crime organizado migrando para as cidades do Noroeste Fluminense, como de fato ocorreu depois da inauguração da Casa de Custódia em 29 de novembro de 2003. E as estatísticas demonstram claramente o que tem acontecido: o aumento astronômico do tráfico de drogas, circulação de armas clandestinas de alto calibre e sem contar com o avanço de facções criminosas e disputa entre elas elevando desta maneira o número de homicídios nas cidades do Noroeste Fluminense.

Moradores de Itaperuna nao queriam unidade prisional em 2002

Procurada, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária ainda não se posicionou.

Da Redação do Portal Itaperuna Notícias