Início Regional Cambuci MPF quer punição por desvios no Brasil Alfabetizado em Cambuci

MPF quer punição por desvios no Brasil Alfabetizado em Cambuci

TRF2 julgará recursos de oito acusados por prejuízos de mais de R$ 100 mil

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu à Justiça que condene oito acusados de desviar R$ 102,5 mil do programa Brasil Alfabetizado destinados ao Município de Cambuci, com cerca de 15 mil habitantes no Noroeste Fluminense. Os repasses comprariam material didático e alimentos no fim de 2008, na gestão do prefeito Dr. William (William Cardoso Portes), que foi preso preventivamente. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2) volta a julgar no próximo dia 9 os recursos do MPF e dos réus contra a sentença da 1ª Vara Federal em Campos, de 2017, que condenou servidores e comerciantes locais a penas entre quatro anos e meio e seis anos de reclusão por peculato.

No julgamento, a 1ª Turma acabará de apreciar os recursos contra as penas de oito réus (Dr. William faleceu em 2011) pela prática de peculato – eles também foram acusados por associação criminosa e dispensa indevida de licitação no programa para alfabetizar jovens e adultos. Dois desembargadores federais já votaram: um rejeitou os recursos e outro acolheu as apelações dos réus para reduzir suas penas e negou o recurso do MPF, em que se pediu o reconhecimento da coexistência dos crimes de peculato e dispensa de licitação. O desembargador que votará tinha pedido vista na sessão anterior.

“Entre 12 e 19/12/2008, os réus, de forma consciente e voluntária, em unidade de ações e desígnios e mediante divisão de tarefas, emitiram notas fiscais e atestaram falsamente o recebimento das mercadorias que jamais foram entregues à administração, com o objetivo de fraudar o procedimento licitatório”, afirmou o procurador regional da República Rogério Nascimento em parecer sobre os recursos julgados no TRF2.

A denúncia tinha sido oferecida pelo MP-RJ e o MPF a ratificou quando o processo passou à Justiça Federal. Ficou provado o desvio de verbas para favorecer os réus, que simularam compras de produtos não entregues, transferindo verbas públicas a terceiros. Para evitar a licitação, as supostas compras teriam sido feitas em dias próximos, em poucos estabelecimentos, custando até R$ 8 mil. A gestora local do Brasil Alfabetizado, professora Dilmar Magalhães Oliveira Luciano, e o motorista Manoel Carlos Pereira Gomes, da Secretaria de Transportes e que assinou notas de recebimento de mercadorias, tinham sido condenados na primeira instância à pena da perda de seus cargos públicos.

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